A ORIGEM DO MOVIMENTO DE REFORMA

  Em 2014 a igreja Adventista do Sétimo Dia Movimento de Reforma completou o seu primeiro centenário de existência. Esse grupo religioso nasceu em um momento de crise, quando começou a Primeira Guerra Mundial. Este conflito começou no dia 28 de julho de 1914. Uma semana depois, quase toda a Europa estava envolvida na mais sangrenta guerra que o mundo já tinha visto. Ele afetou não apenas a sociedade europeia, mas até a igreja Adventista existente na Alemanha. Tão logo começaram os combates a Divisão Europeia da Igreja Adventista do Sétimo Dia tratou de comunicar aos seus membros e ao Governo a posição oficial dela quanto a questão da participação direta dos seus jovens na guerra que estava começando.

No dia 2 de agosto, o secretário da Divisão Europeia da Igreja Adventista, pastor Guy Dail, enviou uma circular aos membros da Igreja tentando esclarecer qual seria a atitude da igreja diante desta crise. A circular tinha uma mensagem tanto para os que eram convocados para servir o exército alemão, quanto para os crentes que não seriam convocados para a guerra.

No dia 3 de agosto, a Alemanha declarou guerra contra a França. O conflito estava se aprofundando. Diante do agravamento da situação, no dia seguinte, 4 de agosto,  a direção da igreja na Alemanha envia um novo documento, desta vez para o governo alemão. Nesta era explicada a posição da Igreja Adventista quanto a guerra e ela explicava também que esta atitude sido comunicada aos membros. Era uma referência direta a circular escrita pelo pr. Guy Dail. Esta missiva esclarecia que se alguém revelasse uma posição diferente estava agindo por conta própria e não era apoiado pela direção da Igreja. A carta fora endereçada ao Ministro da Guerra e era assinada por H. F.Shubert, presidente da União Leste Alemã.

Diante da guerra, a direção da Igreja teve uma reação imediata e pronta a favor do governo. Da carta escrita pela direção da obra na Alemanha ao governo alemão podemos destacar os seguintes aspetos: ela confirmava a posição da direção da Obra em apoiar a participação dos membros da igreja na guerra, mesmo que tivesse que transgredir o santo sábado. Em segundo lugar, ela explicava que essa posição havia sido divulgada aos membros por meio de uma circular. Em terceiro lugar, se alguém revelasse posição diferente estava agindo por conta própria e não era apoiado pela direção da igreja. Por fim, a igreja enfatizava o apoio irrestrito a atitude beligerante do governo, assumindo assim uma posição claramente nacionalista.

Com isso a Igreja deixava o membro que não concordava com essa posição a mercê da vontade do governo e sem o amparo da Igreja. Se alguém resolvesse ser fiel a sua consciência seria tratado como rebelde tanto pela Igreja como pelo governo. Ele estava só. Houve uma profunda inversão de valores. Agora ser a favor da Lei de Deus tornou-se errado para a igreja e transgredi-la era vista com bons olhos.

É lógico que nem toda a igreja concordaria com essas determinações. Uma minoria rejeitou a posição oficial da Igreja e por causa deles a Obra foi interditada. Essa pequeno grupo, formada por 2% dos membros da Igreja na Alemanha, protestara contra a participação dos membros na guerra e eram contra a transgressão do sábado, mesmo diante a crise. Por não aceitarem participar das ações de guerra a atitude do grupo foi tomada pelo governo Alemão como a posição oficial da igreja.

No dia 22 de fevereiro de 1915, em Dresden, Saxônia (na região ao sudeste da Alemanha) a Igreja foi impedida de realizar reuniões. Por que aconteceu isso? O governo interveio nas igrejas adventistas por que acreditava que a oposição os membros daquela região contra a participação na guerra fosse a posição da igreja oficial. A direção da igreja temeu que esta atitude de poucos crentes se espalhasse e comprometesse a organização advenstista diante do governo e por isso mandou excluir a minoria contestadora. Para não deixar dúvidas sobre a sua posição a direção da igreja mandou uma carta ao governo esclarecendo que a atitude oficial da igreja era a favor do governo. Nela ela esclarecia que os membros foram instruídos a participarem na guerra, quando convocados. A declaração foi assinada por três dirigentes da obra na Alemanha, L. R. Conradi, presidente da Divisão Europeia, H.F. Schubert, presidenta da União Leste-Alemã e P. Drinhaus, presidente da Associação da Saxônia. Em resultado desta declaração oficial, suspendeu-se a interdição da obra adventista.

Em uma carta circular intitulada “A situação europeia” o pastor Charles H. Watson, presidente da Associação Geral dos ASD entre 1930 e 1936, deu a seguinte explicação:

“Na Alemanha [...] houve uma minoria de crentes nossos que recusaram seguir a direção de Conrad [...] Esses, por causa da sua posição, tiveram que sofrer muito nas mãos dos seus governos [...] A resistência na da minoria ao serviço militar ameaçou comprometer todo o corpo dos adventistas aos olhos do governo alemão; e para evitar isto, Conrad mandou excluir a minoria da igreja.”

Carta circular “A situação    européia” do ancião C. H. Watson (presidente da Associação Geral dos ASD, entre   1930 e 1936).

Como a voz de protesto da minoria começou a incomodar o governo e a direção da Obra, as exclusões tornaram-se frequentes, tanto na Alemanha como em outros países. Os membros foram excluídos de igrejas como Bremen, Bremen Neustadt, Essen e Stuttgart. Em outros lugares como em Coblenz, Wermelskirchen, Kray (maio de 1915) e em Renânia, igrejas inteiras se dissolveram.

Quando o conflito terminou, cerca de dois mil adventistas estavam desligados da sua igreja na Europa, por causa da questão de consciência em relação à participação na guerra. Este grupo foi o núcleo inicial da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Movimento de Reforma.

Em 1920 foi realizada uma reunião de reconciliação na Escola Missionária que estava em Friendensau, Alemanha. Da parte da direção da Obra adventista estavam presentes 51 pessoas, e do grupo excluído 16 representantes. Depois de três dias de intenso diálogo, as reivindicações do Movimento Opositor, como eram chamados o grupo de objetores de consciência, não foi levado em conta. O grupo tentou levar a sua causa para um grupo maior, a Assembleia Geral realizada na cidade de São Francisco, em 1922, mas não foi dada oportunidade de se debater a questão.

Como o Movimento de Reforma tinha tomado todos os passos bíblicos para se reconciliar com a igreja, mas não foi levado em consideração pela direção da Obra adventista, não sobrou nenhuma outra alternativa senão organizar a obra reformista. A primeira Assembleia Geral foi realizada em Gotha, Alemanha, entre os dias 14 a 20 de julho de 1925, com a presença de 28 delegados.

Em 39 de fevereiro de 1933 a Obra na Alemanha foi dissolvida pela Gestapo, a temida polícia secreta do Governo Nazista. Atualmente a sede mundial do Movimento de Reforma está estabelecida na cidade de Roanoke, estado da Virgínia, EUA.